Fontes Hidrotermais como Possíveis Laboratórios Naturais de Poluição: Mecanismos de Destoxificação de Metais em Mexilhões e Peixes de Lucky Strike
DOI:
https://doi.org/10.5132/jbse.2006.01.016Palavras-chave:
Bathymodiolus azoricus, Hydrolagus pallidus, metalotioninas, enzimas antioxidantes, peroxidação lipídicaResumo
As fontes hidrotermais são consideradas ambientes extremamente tóxicos, caracterizadas por elevadas temperaturas e presença de grandes concentrações de sulfuretos, metano, dióxido de carbono e metais. Paradoxalmente, a vida nas fontes hidrotermais apresenta grande produtividade e por isso elas constituem um meio único para estudar os efeitos adaptativos a longo prazo ao stress ambiental. O objetivo deste estudo foi comparar as respostas de alguns biomarcadores de exposição metálica entre duas espécies hidrotermais, o mexilhão Bathymodiolus azoricus e o peixe quimera Hydrolagus pallidus do campo hidrotermal Lucky Strike. Os resultados mostraram que o mexilhão B. azoricus apresenta valores elevados de metais quando comparados com espécies costeiras aparentadas, especialmente para Ag, Cd, Cu e Zn nas brânquias. No entanto, os níveis de metalotionina (MT) foram surpreendentemente baixo tendo em conta a acumulação metálica observada. A quimera H. pallidus também apresentou níveis de metais significativamente superiores nas brânquias em comparação ao músculo, no entanto, os valores de MT foram duas vezes superiores no músculo. A atividade das enzimas superóxido dismutase (SOD) e catalase (CAT) nos mexilhões foi significativamente superior nas brânquias, enquanto as glutationas peroxidases (GPx) foram mais importantes no manto, o que sugere que os dois tecidos apresentam diferentes estratégias antioxidantes para lidar com fatores de stress. A peroxidação lipídica (LPO) foi mais evidente nas brânquias, indicando que os mecanismos de defesa nesse tecido podem não ser completamente eficazes contra a toxicidade metálica. Apesar de a principal fonte de alimento de H. pallidus serem mexilhões com elevados níveis de metais, não se encontraram evidências de bioamplificação de metais. As quimeras poderão apresentar outros mecanismos de desintoxicação mais importantes que as MT.
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